Dia 5 – Montenegro conquistou meu ♥

Acordamos cedo para fazer um day tour em Montenegro, país que faz fronteira com o Sul da Croácia. O passeio custou €35, mas isso só porque pesquisamos bastante antes de comprar e a Raquel penchinchou como ninguém para conseguir um superdesconto. Estava incluso no valor apenas o transporte de van para três cidades — Perast, Kotor e Budva — com guia turístico. A guia não nos acompanhou nos passeios, apenas narrou os acontecimentos de dentro da van, sugerindo os lugares que deveríamos visitar a cada parada.

A van passava pelos principais hotéis da cidade para pegar os passageiros. O primeiro ponto era bem perto da nossa casa e deveríamos chegar lá bem cedinho. Mais uma vez, eu e a Raquel saímos de casa correndo achando que estavámos atrasadas. Me lembro que ela fez pipoca de micro-ondas na casa do host antes de saírmos e levou para comer na van. Quem é que come pipoca sazora da manhã, meu Deus?! 🍿

Chegamos no ponto de encontro do Pile Gate, na old town, e alguns turistas muito desavisados esqueceram o passaporte (iríamos cruzar a fronteira do país, como que eles não pensaram nisso? 🙄). Ficamos lá um tempo esperando eles, depois paramos em mais alguns pontos. No total, acho que éramos em 12 pessoas com o motorista e a guia turística. E como brasileiro nunca está sozinho, mais 3 brazucas estavam na van.

Perast fica a 1h30 de distância de Dubrovnik e o caminho é indescritívelmente lindo. Após um tempo, paramos em um restaurante de beira de estrada para comer e foi ali que fiquei boquiaberta ao ver o cardápio: tudo muito barato!

Montenegro (2)Montenegro (3)

Perast

Em Perast visitamos as duas ilhas localizadas na baía de Kotor: Island of Our Lady of the Rocks e Island of Saint George.  A van estacionou no acostamento e tinha um barco gigante que levava os turistas até a primeira ilha, mas era preciso pagar alguns euros para isso. Não lembro a quantia, mas eu e a Raquel optamos por economizar e ficar observando as ilhas de longe mesmo.

Montenegro (5)

Island of Our Lady of the Rocks

Montenegro (6)

Island of Saint George na esquerda e Island of Our Lady of the Rocks na direita.

Montenegro (7)

Tá vendo aquele barco lá atrás, no canto direito? Ele que levava os turistas até a ilha. Tá vendo esse barquinho azul na frente? Ele que nos levou até lá.

Mais uma vez a vida foi generosa com a gente. Tiramos algumas fotos e fomos caminhando pela costa, até que cruzamos com dois meninos, deviam ter uns 18 anos, e eles perguntaram se a gente queria ir até a ilha por alguns euros, mais barato do que o passeio oficial. A gente disse que não e eles falaram que nos levaríamos de graça. ATA.

Continuamos andando até digerir essa informação. Pera aí, o menino disse de graça? Vem cá, moço, leva a gente sim! O barquinho deles era esse azul da foto. A Raquel entrou e eu não queria ir nem a pau, Juvenal. Olha o tamanho desse treco, parece que vai virar a qualquer momento!

Fiquei alguns minutos me enrolando, até que entrei. Foi uma aventura! Chegamos na ilha, tiramos milhões de fotos correndo com medo de perder a van. Na hora de retornar, o menino estava levando o barco para a margem oposta, do outro lado da ilha. “Moço, a gente não veio desse lado não.” Eu e a Raquel já estavámos entrando em pânico! Mas os meninos só estavam tirando um sarro da nossa cara e contornaram a ilha de zueira. 🤦‍Gelei real, mas no final deu boa. Visitamos a ilha sem pagar nada e ainda voltamos pra pegar a van sem atrasar o rolê da galera.

 

Kotor

Seguimos viagem com destino a Kotor, uma cidade histórica com pouco mais de 5 mil habitantes, localizada a 20 minutos de distância de Perast. A guia turística nos contou que muitos anos atrás Kotor foi infestada por ratos e, então, eles levaram muitos gatos para conter a epidemia. 🐀 Os felinos fizeram seu trabalho e eliminaram os ratos, por isso, são até hoje idolatrados na cidade. Tem gato por toda a parte, eles têm, inclusive, um museu sobre gatos. 🐱

Kotor é uma cidade inexplicavelmente linda, cercada por muros. Passamos pelo portão de entrada e ficamos vendo umas lojinhas de souvenir. Eu falei pra Raquel que ia ver a lojinha do lado e, um tempo depois, escuto alguém GRITANDO meu nome no meio da multidão. De novo, ela não ouviu o que eu havia dito e quando percebeu que eu não estava mais ao lado dela, entrou em pânico, achando que eu tivesse sumido.

Compramos imãs de geladeira e decidimos fazer a famosa trilha pela montanha. Veja as montanhas nas fotos abaixo, tem uma trilha que leva até o ponto mais alto e ainda continua. É preciso pagar €3 e dessa vez a gente achou que valia a pena. E valeu!

Me sentindo nas favelas do Rio de Janeiro nas fotos acima (só que não haha) e morrendo de cansaço nas fotos abaixo. Dá uma olhada na subida íngreme! E tava muito calor, sorte que eu tinha um leque na bolsa, deu pra quebrar um galho.

Subimos mais um pouco até chegar ao mirante. Ficamos lá sentadas por um bom tempo descansando. Lembro que conhecemos uma australiana que estava viajando sozinha e fizemos a gentileza de tirar umas fotos pra ela.

O tempo passou voando fazendo a trilha! Ainda tinha mais caminho pra percorrer montanha acima, mas decidimos voltar, pois, além de cansadas e famintas, tínhamos horário pra pegar a van e seguir viagem. Voltamos “correndo” e compramos um hambúrguer pra levar e comer na van. Glória a Deus não fomos as últimas a retornar, mas foram os outros brasileiros (somos conhecidos mundialmente como o povo que está sempre atrasado).

Budva

Mais 30 minutos de viagem e chegamos em Budva, uma praia de Montenegro. O tempo estava fechando, com bastante vento, mas a Raquel quis vestir biquíni pra tirar foto, senhor amado!

Estavámos caminhando pela orla e ela decidiu comprar um sorvete. Pediu uma casquinha com duas bolas, na cabeça dela iria dar €1,50, mas a mulher cobrou €2,50, porque eram dois sabores. Detalhe importante: os preços estavam bem visíveis em cima do balcão.

Primeiro, a Raquel disse que o preço estava errado, que ela tinha visto €1,50, se ela soubesse que era mais caro não teria comprado. Então, ela quis devolver o sorvete dizendo que não ia pagar. Foi aí que começou a treta do século entre a Raquel e a atendente da sorveteria. A atendente segurando o papel com os preços na cara da Raquel perguntando se ela sabia ler, a Raquel se fazendo de sonsa, foi uma situação muito rídicula. E tudo isso por causa de UM EURO. Infelizmente, minha amiga estava completamente errada. Cansada de passar vergonha, eu paguei pelo sorvete (que eu não estava com a mínima vontade de comer), pedi desculpas à atendente e saí de lá bufando. Tirei o sorvete da mão da Raquel e comi ele inteiro, sem oferecer um pedaço pra ela. Eu fiquei pistola real. Continuamos o passeio por Budva e por fim caminhamos por toda a orla da praia.

No caminho de volta para a van, eu e a Raquel paramos em uma lanchonete para comprar sanduíches, foi então que ela percebeu que estava sem as botas dela. Lembra que ela quis colocar biquíni? A Raquel tinha um par de botas brancas que praticamente andava sozinho, ela só usava isso. Trocou pelos chinelos, já que estava de biquíni, colocou as botas em uma sacola e seguiu em frente. Só que ela deixou as botas no meio da orla em uma das vezes em que paramos pra tirar foto.

Essa menina entrou em desespero! Primeiro, ela não tinha certeza de onde tinha deixado as botas. Segundo, já estavámos atrasadas pra voltar pra van. Terceiro, teríamos que nos separar e o senso de direção dela definitivamente não estava funcionando pra encontrar a van sozinha na volta. Tentei explicar o caminho com a maior paciência possível e ela saiu correndo pra procurar as botas. Enquanto isso, eu comprei os sandubas e fui correndo pra van pra avisar o pessoal que teríamos que esperar a Raquel.

Imagina a situação: os gringos tudo pistola querendo ir embora, o tempo estava fechando e ia começar a chover a qualquer segundo, e a gente lá esperando pela Raquel. No fim ela encontrou as botas e conseguiu voltar pra van. 🙏

Back to Dubrovnik

Na estrada retornando para Dubrovnik algum gringo decidiu passar o chapéu entre os passageiros da van para coletar gorjeta para a nossa guia turística. Ela foi maravilhosa, muito atenciosa, explicou várias coisas pra gente e com certeza merecia uma ótima gorjeta. Eu e a Raquel ficamos nos sentindo mal por não ter dado nada, mas vida de mochileiras sem dinheiro é assim mesmo, só gasta com o que é realmente necessário ou com o que realmente vale a pena.

De volta a Dubrovnik, compramos passagem de ônibus para Zadar, nosso primeiro e último destino na Croácia. Passamos em um mercadinho, compramos macarrão para cozinhar na janta, bolinho e bolacha para comer de manhã. Quando chegamos na casa do host, ele estava jogando video game, fizemos a janta e o convidamos para comer, mas ele não quis.

Depois de comer, tomei banho e a Raquel decidiu dormir, porque estava morrendo de sono, e colocou o relógio pra despertar por volta da 1h da manhã pra levantar e tomar banho. Eu fiquei indignada, o host já tinha comentado que o que menos gostava no Couchsurfing era de hospéde que chegava tarde ou fazia barulho de madrugada e ela aprontou uma dessas.

Dormimos de madrugada e acordamos pouco tempo depois, lá pelas 5h para pegar o ônibus. Nem conseguimos nos despedir do host, pra falar bem a verdade, mal conseguimos conversar com ele. Não foi à toa que ele disse que não nos hospedaria novamente na avaliação do Couchsurfing, ainda mais com a Raquel fazendo barulho de madrugada. Ficamos #chateadas com a avaliação negativa, mas vida que segue, ainda tinha muito lugar pra conhecer e muito host pra nos hospedar.

Gastos do dia

Dia 02/10/2016

Montenegro
€17,00 - Simcard para câmera que comprei da Raquel
€1,40 - Cappuccino
€1,50 - Sanduba
€2,00 - Imã de geladeira em Kotor
€3,00 - Trilha na montanha em Kotor
€1,20 - Metade de um hambúrguer em Kotor
€2,50 - Sorvete em Budva
€0,50 - Banheiro em Budva
TOTAL: €29,10

Dubrovnik
203 HKR - Passagem de ônibus Dubrovnik/Zadar
13,48 HKR - Bolinho e Bolacha
5,55 HKR - Metade do macarrão da janta
TOTAL: 222,03 Kunas Croatas ≅ €32,00

TOTAL GERAL: €61,10
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Dia 4 – Dubrovnik

Em 1° de outubro de 2016 meu Anjo da Guarda me protegeu mais uma vez. Eu e a Raquel levantamos de madrugada para pegar o bus com destino a Dubrovnik e, pra não perder o costume, estavámos mais uma vez atrasadas e correndo. Ela estava andando alguns passos à frente, carregando o mochilão nas costas, e eu estava logo atrás, empurrando minha mala de rodinhas.

De repente, enquanto atravessávamos uma rua, eu tropecei e cai. Tudo bem, só levantar.

Era uma rápida, estava escuro e eu cai no ponto em que a rua fazia uma curva. Nisso, estava vindo um carro em alta velocidade – ao que tudo indicava, eu seria atropelada. A Raquel começou a gritar em pânico e eu descobri o que a adrelina é capaz de fazer. Levantei da rua numa velocidade surreal. Eu tinha machucado as mãos na queda, mas juntando o fato de eu quase ter morrido ao fato de estarmos atrasadas, nem consegui sentir dor. Depois, a Raquel ficou repetindo “viada, quer me matar do coração? Achei que você fosse morrer”. Que sufoco! Just for the record, aqui está a rua em que quase fui atropelada (Poljana kneza Trpimira).

Chegamos na bus station de Split a tempo de comprar a passagem para Dubrovnik e ainda comer um croissant. A viagem durou cerca de 9h e a única parada que fizemos no caminho foi de alguns minutos em uma lanchonete na Bósnia e Herzegovina (se me perguntarem se já visitei o país, posso dizer que fiquei lá meia horinha e comprei uma bolacha 😅). Ah, isso só aconteceu porque um pedacinho da Bósnia e Herzegovina separa as regiões Sul e Norte da Croácia.

Bósnia e Herzegovina

Bósnia e Herzegovina

Couchsurfing em Dubrovnik

Nosso host do Couchsurfing se chamava Senko Kriz e a casa dele ficava praticamente em frente a bus station da cidade. Quando chegamos, ele estava na rodoviária nos esperando.

Senko tinha uns 50 anos, magro, cabeludo, fã de videogame e morava sozinho em um sobrado. A mãe, que morava com ele, tinha falecido há alguns anos, então ele usava o aplicativo pra não ficar tão sozinho. Ele nos mostrou a casa, era um sobrado e tinha um quarto com duas camas de solteiro só pra mim e pra Raquel no andar de cima – amamos!

O Senko também nos convidou para comer. Ele gostava de cozinhar coisas saudáveis, fez um pão típico da Croácia e nos ofereceu (eu achei razoável, a Raquel não gostou não). Muito gentil, ele também deu um iogurte para cada uma de nós – era horrível, eu queria empurrar o meu pra Raquel e vice-versa, acabamos jogando no lixo escondido dele e com muita dor no coração.

Pegamos um ônibus com destino à old town de Dubrovnik, cerca de 15 minutos de distância da casa do host. Assim que chegamos ao destino, fomos abordadas por vários vendedores de passeios turísticos, eles ficam concentrados na praça em frente ao Pile Gate.

Dubrovnik Old Town – A Cidade Antiga

Dubrovnik Old Town é considerada a cidade medieval mais preservada do mundo. Como polo turístico, ganhou relevância mundial após ser palco de cenas memoráveis da série Game of Thrones.

A “cidade antiga” é cercada por muros construídos entre os séculos XI e XVII, repleta por igrejas, monastérios, praças, palácios e até mesmo portos. O Pile Gate é a principal via de acesso para a old town:Dubrovnik - Pile GateÉ possível fazer a caminhada sob os muros que cercam a old town, mas precisa pagar. Ao invés disso, decidimos comprar um passeio turístico para Montenegro, país vizinho da Croácia. Pesquisamos em vários quiosques e choramos até conseguir um desconto daqueles que dá orgulho: o valor final ficou em €35 para visitar três cidades no dia seguinte.

Seguimos o passeio conhecendo todos os cantinhos da charmosa old town de Dubrovnik.

 

Dubrovnik (3)

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Essa foto foi estrategicamente pensada para aparecer o barco ali na lateral esquerda (ideia da dona Raquel). Um barco bem chique com o motorista todo de branco, achamos muito fino haha

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Para chegar nesse lugar, tinha uma passagem bem estreita, nada convidativa, mas a gente ficou curiosa e foi assim mesmo. Parecia ser uma área privada e eu estava me sentindo a intrusa no lugar. A Raquel, claro, ficou super à vontade e não queria mais ir embora, tive quer tirar umas 300 fotos dela ali.

Dubrovnik (9)

 

Saímos da cidade e, enquanto a Raquel tirava uma foto minha, um homem loiro nos abordou perguntando se gostaríamos que ele nos fotografasse juntas. Meu primeiro pensamento foi desconfiar, achei estranho ele surgir do nada com tanta gentileza.Dubrovnik (12)Depois de nos fotografar, começou então a puxar papo e nos ofereceu um passeio de caiaque. Agora estava tudo explicado, ele era mais um dos vendedores concentrados na praça.

Tentando nos convencer a comprar o passeio, ele contou que os caiaques estavam bem ali embaixo da ponte, no exato local onde filmaram cenas de Game of Thrones, e nos levou para conferir de perto.

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Essa paisagem foi cenário desta cena de GOT.

Ainda tentando nos vender o passeio, o homem reduziu o valor em 50% e nós explicamos que estavámos fazendo um mochilão low cost, sequer pagávamos por acomodação, sem chances de gastar com passeios como aquele. Ele então agradeceu pela ateção, saiu de perto e nos deixou ali tirando foto.

As melhores coisas da vida não tem preço

Poucos minutos depois, ele voltou dizendo o seguinte: “olha, não fala pra ninguém, mas eu contei essa história de mochilão low cost pro meu chefe e ele decidiu dar o passeio de graça pra vocês.” VIAAADO!!!!! Pensa em duas meninas malucas sem acreditar no que estava acontecendo. Depois de tirar tantas fotos nossas, eu e a Raquel convidamos ele para tirar uma foto com a gente e registrar para sempre aquele momento:Dubrovnik (13)

O “Niko” nos proporcionou uma das experiências mais incríveis que já tivemos, sem esperar nada em troca! E é por conhecer pessoas como ele que eu ainda acredito que os bons são maioria. Apesar de se pronunciar “Niko”, a grafia do nome dele é Mijo e ele contou que já sofreu muito bullying de brasileiro por causa disso, tadinho hahaha. No final do dia, descobrimos que o “chefe” que havia nos presenteado era ele mesmo, o Mijo era o dono da empresa.

Enfim, tínhamos uns 20 minutos até a saída do próximo tour, tempo suficiente para colocar o biquíni e tirar mais algumas fotos.

Dubrovnik (15)
Preparada para começar o passeio! Os caiaques são esses que aparecem na foto.

Por instrução do guia turístico, a pessoa mais forte deveria ir atrás no caiaque, sendo assim, fui na frente. A primeira parada seria dali uns 20 minutos, em uma carverna. Agora imagine 20 minutos remando praticamente sozinha. A bonita da Raquel só queria ficar tirando fotos ao invés de remar! Enfim, chegamos na tal da caverna e ficamos lá por alguns minutos. Como se já não estivéssemos felizes o suficiente por estar fazendo o passeio de graça, ainda ganhamos comida (o guia deu frutas para o pessoal do passeio, comemos quantas bananas conseguimos 🍌🍌🍌 hahaha).

E do nada, a Raquel começou a se coçar. Deu alguma alergia nas pernas dela, a bichinha não parava de se coçar, ela estava quase chorando. Dessa vez, ela segurou o choro, pensou positivo e seguiu como se nada tivesse acontecido. Afinal, não é todo dia que ganhamos um passeio irado na faixa, né? Mas eu confesso que fiquei preocupada de verdade. 🙏Dubrovnik (18)

O guia também disponibilizou óculos de mergulho para quem quisesse usar. Eu nunca tinha mergulhado em meio aos peixes e, VIAAADO, que esperiência incrível! A água transparente estava repleta de peixinhos. Eu parecia uma criança retardada mergulhando, nunca havia visto nada igual. É muito lindo! A Raquel ficou zoando com a minha cara, não quis mergulhar pra não molhar o cabelo e também porquê ela já tinha feito mergulho no Brasil.
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Seguimos com o passeio, visitamos mais algumas cavernas, passamos por uma ilha e a cada parada o guia reunia todos os tusistas para contar um pouco da história do lugar (eu e a Raquel eramos sempre as últimas a chegar por motivos de: eu remava sozinha enquanto ela tirava fotos). 🙈😅

Quando o Sol estava prestes a se pôr, paramos todos juntos para ficar lá observando, no meio do mar. Foi sem dúvidas um pôr-do-sol inesquecível. E o guia ainda disse que já fazia alguns dias que não dava para ver com nitidez, pois já era fim da temporada de verão e o céu estava com muitas nuvens, então tivemos bastante sorte.Dubrovnik Sunset

Dubrovnik Sunset 2O dia estava escurecendo e as luzes da old town já estavam acesas na hora em que retornávamos para o lugar de onde partimos. Lá do alto da montanha estava tocando a trilha sonora de Game of Thrones. Na época, eu nunca tinha assistido à série, mas mesmo assim me senti dentro daquele universo medieval. Foi muito incrível a sensação! Brincando, falei pra Raquel que eu era a escrava dela, que ficava remando, enquanto ela, da realeza, ficava tirando fotos haha🤳 (pelo menos ela tirou altas fotinhos de mim, nem posso reclamar). Mais uma vez, perguntamos ao guia se isso rolava todos os dias e ele disse que não fazia ideia porquê a música estava tocando.

Dubrovnik Sunset 3

Foi nessa hora que começou a tocar a trilha sonora de GOT, vinha daquela torre na colina, no lado esquerdo da foto. Além da música, tinham luzes de holofote saindo lá do alto, como se estivesse rolando um espetáculo.

Dubrovnik Sunset 4

Dentro desses barris brancos a gente colocava os objetos pessoais, como bolsas e câmeras, para ficarem protegidos da água.

O Mijo estava lá quando retornamos e nos apresentou sua namorada, uma asiática de Los Angeles, e outro menino da equipe dele, o Antonio Sentic. Eles nos contaram que aquele era o último dia da alta temporada e nos convidaram para ver a cidade de uma colina. Antes de ir, eu e a Raquel compramos um pedaço de pizza na old town. Não satisfeitas, compramos salgadinho Ruffles em uma mercearia que tinha no caminho. A foto não revela a beleza real da vista da cidade:Dubrovnik nightDescobrimos que o Antonio morava perto da casa do nosso host e decidimos ir os três embora a pé. Caminhamos uns 40 minutos juntos, tempo suficiente para saber que o Antonio era um menino muito gente boa! Ele nos contou que a principal ambição dos jovens croatas do Sul é se formar e ir velejar em grandes navios ao redor do mundo.

Quando chegamos em casa, o host já estava dormindo (ele tinha nos dado a chave do portão). Tomamos banho e fomos para a cama, pois tínhamos que acordar cedo no dia seguinte para desbravar um novo país!

E, pra fechar este post com chave de ouro, listei os motivos pelos quais sou extremamente grata por esse dia em Dubrovnik:

  1. Não foi dessa vez que morri atropelada. 🙏
  2. Ganhei um passeio irado de graça. A emoção foi tanta que aqui até vale usar redundância dizendo que ganhei uma coisa de graça! 😁 Ainda mais que o passeio custava caro!
  3. Ganhei comida (pão na casa do host e banana na caverna – qualquer coisa de graça vale MUITO quando você faz um mochilão low cost).
  4. Andei de caiaque e mergulhei com os peixeinhos pela primeira vez na vida. 😍🐋
  5. Assisti a um pôr-do-sol inesquecível. Em um caiaque. No meio do mar. Na Croácia.  #gratidão
  6. Conheci pessoas muito legais!

Gastos do dia

Dia 01/10/2016
128 HKR - Passagem de ônibus Split/Dubrovnik
8 HKR - Bagageiro ônibus
8 HKR - Croissant café da manhã
10 HKR - Bolacha TUC na Bósnia e Herzegovina
5,50 HRK - Biscoito nuts
12,50 HRK - Pizza
4,50 HRK - Salgadinho Ruffles

TOTAL: 191,50 Kunas Croatas = €27,35

Dia 3 – Krka National Park

Nossa trip na Croácia estava com a “agenda aberta”, a única certeza era a data de entrada e saída do país. E de que não poderíamos ir embora sem visitar pelo menos um dos parques mais incríveis de lá: Plitvice Lakes National Park ou Krka National Park.

Optamos pela segunda opção porque era mais barato, era mais perto e podíamos tomar banho de rio. Aproveitamos o dia extra que ficaríamos em Split, sem ser planejado, e compramos o passeio para o Krka National Park, localizado a pouco mais de uma hora de distância de Split, onde estávamos hospedadas.

O “ônibus” de viagem foi na verdade uma “fiorino” e custou €23 por pessoa ida e volta. No caso, eu e a Raquel fomos as únicas turistas do rôle, parecia que a gente tinha pedido um Uber mesmo haha! O trajeto foi tranquilo, o motorista era gente boa e só o fato de viajar pelas estradas da Croácia já é um passeio à parte, pois a vista é incrível!

Chegando no parque, tivemos que pagar 80 HRK pelo ticket de entrada. Bem, “chegando” no parque, porque na verdade a gente chega em um grande estacionamento, onde precisamos comprar o ticket. De lá, saiem ônibus durante o dia todo para levar os turistas até as cachoeiras (o transporte dentro do parque está incluso no valor do ingresso).

Essa foi a parte mais insana do passeio. A estrada é de terra, bem apertada e na base de uma montanha. Imagina uma trilha que de um lado é a montanha e do outro é um precipício. Eu e a Raquel fomos bem na frente e eu tinha certeza de que o ônibus ia cair e todo mundo ia morrer. Eu literalmente estava rezando!!!

Como se não pudesse ficar mais radical, quase não cabem dois ônibus lado a lado na estrada. Os momentos mais tensos foram quando a gente tinha que passar por outro ônibus que vinha na contra-mão. Parecia que não ia acabar nunca, mas o trajeto deve ter durado menos de 15 minutos.

Os ônibus param em um lugar, na parte debaixo da montanha, e os turistas têm que seguir a pé até as cachoeiras, que ficam mais pra baixo ainda. O parque como um todo é uma grande “trilha”. Você desce por um tempo e chega nas cachoerias, que estão no ponto mais baixo. Continua a trilha e vai subindo até voltar ao início. Abaixo, fotos tiradas na trilha antes de chegar nas cachoeiras:Krka National Park (1)Krka National Park (2)Decidimos conhecer todo o parque primeiro e só depois tomar banho de rio.Krka National ParkKrka National Park (4)Krka National Park (5)

Krka National Park (8)Krka National Park (9)Krka National Park (10)Pensa em uma água gelada. Multiplica!!!! Estava calor, mas não o suficiente pra entrar naquele rio congelante! Mas a gente entrou, né?! Krka National Park (11)Krka National Park (12)Krka National Park (13)

No ônibus de volta para o estacionamento, decidimos ignorar as janelas e abstrair o fato de estarmos em um precipício! Voltamos para Split cedo, por volta das 15h.

Almoçamos uma pizza e fomos conhecer a Bačvice Beach, uma praia bem normal, se comparada às ilhas maravilhosas da Croácia que conheci no dia anterior. Minha câmera estava sem bateria, então não tenho fotos do lugar. Nós caminhamos pela orla e depois ficamos pegando Sol.

Quando estávamos voltando para o Airbnb topssímo que conseguimos de graça, a Raquel quis parar em uma lanchonete para usar o wi-fi. Eu estava PRECISANDO de um banho e tinha wi-fi no apê, então eu disse que ia pra casa tomar banho e deixei ela na lanchonete.

Estava eu caminhando bem tranquila de volta pra casa quando alguém me para de repente, aos prantos. Era a Raquel! Ela estava chorando e o mais bizarro foi o motivo: a bicha não percebeu que eu tinha deixado ela sozinha e, quando se deu conta, entrou em pânico. Ela começou a brigar comigo na rua implorando pra eu nunca mais fazer isso com ela, porque ela não sabia voltar pra casa. Eu achei que ela estava zoando, afinal nossa casa era bem pertinho e na principal rua da cidade, não tinha erro. Mas eu também nunca tinha visto ela falando tão sério! Depois da crise, eu fiquei zoando com a cara dela, mas deu dó da bichinha haha!

No apê, eu tomei banho e dormi. Ou melhor, eu hibernei! Acordei umas 22h e, nesse tempo, a Raquel tinha saído pra passear com o Branimir, o croata que ela conheceu por lá, eles voltaram pra casa e o boy fez um macarrão DELICIOSO pra gente comer. No caso, os dois já tinham jantado e a Raquel disse que ficou com dó de me acordar. Comi e voltei a dormir, pois tínhamos que pegar um bus às 5h da matina para Dubrovnik e a viagem seria longa…

Gastos do dia

Dia 30/11/2016
80 HRK - Entrada Krkra National Park
6,50 HRK - Burek (café da manhã)
12 HRK - Pizza (almoço)
7,30 HRK - folheado com cherry jam

TOTAL: 105,80 Kunas Croatas = €15,11

Dia 2 – Hvar e outras ilhas da Croácia

Depois de passar por umas das piores noites da minha vida (a primeira experiência no Couchsurfing), acordamos bem cedo para o nosso prometido passeio de barco. Deixamos as malas na casa do host e saímos correndo até a loja onde compramos os tickets. Felizmente, estava todo mundo atrasado e ainda tivemos que esperar o resto do pessoal chegar.

No ponto de encontro, a Raquel, minha companheira de viagem, decidiu perguntar para o atendente se a comida estava inclusa no valor que pagamos e o cara falou que apenas o almoço. Acontece que no panfleto do tour estava escrito “pausa para o café da manhã” e a Raquel tem o costume de interpretar as informações de forma equivocada. Estava de fato escrito “pausa” para comer, e não que o café estava incluso.

A bicha armou o barraco na lojinha do cara, indignada porque não teríamos café da manhã. Eu já sabia disso, pois não tenho tanta dificuldade assim para interpretar as informações, rsrsrs. Sorte que deu tempo de comprar um salgado e ainda levamos bolachas na bolsa, se não iríamos morrer de fome!

Mas pense numa bicha barraqueira: essa é a Raquel! Pra sentir o nível do barraco, o atendente nos expulsou da loja, mandou a gente esperar do lado de fora e eu não sabia onde enfiar minha cara, ainda mais que ela estava completamente errada.

Depois do estresse matinal, chegou o momento de embarcarmos no barco e conhecermos nossos companheiros do dia. Com exceção de mim e da Raquel, só tinham casais a bordo e o mais legal é que cada um era de uma nacionalidade diferente: Nova Zelândia, Alemanha e Estados Unidos. Tinha um casal que quase não interagiu, então não fazemos ideia de onde eles eram. No total, eramos em 10 passageiros e 2 croatas muito legais formando a “tripulação”.

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Caminhando em direção aos barcos atracados em Split.

26 Split (23)26 Split (24)

Boat Tour – Roteiro do passeio de barco

Nosso passeio custou €90, com almoço incluso e o seguinte roteiro:

  • Saída de Split às 8h30
  • Blue Cave
  • Stiniva
  • Green Cave
  • Blue Lagoon
  • Hvar (almoço por volta das 14h30 e passeio pela ilha)
  • Split (retorno às 17h)

Blue Cave (Biševo)

A primeira parada foi na ilha de Biševo, onde está a Blue Cave. O lugar fica a 1h30 de distância da costa de Split, aproximadamente. E, apesar de minúscula, a ilha é muito bem estruturada, com banheiros e uma lanchonete.

Em Biševo, pegamos uma canoa para conhecer a Blue Cave. Esse é um dos pontos mais famosos do Mar Adriático e eu garanto que vale a fama que tem! Todo mundo precisa abaixar a cabeça pra passar pelo pequeno buraco que dá acesso à caverna e água lá dentro é tão transparente, mas tão transparente que parece que brilha. Infelizmente, não é permitido nadar na caverna, pois além de ser uma área preservada, o fluxo de barcos acaba se tornando um perigo para os banhistas. O passeio dura só uns 10 minutos, mas a gente fica tão impressionada com a vista que nem percebe como o tempo foi curto.

No caminho para a próxima ilha, a Raquel pediu pra pilotar o barco e claro que eu também quis, né?! Os caras largaram o volante na nossa mão real e foi assim que completei mais um item da série “coisas que nunca imaginei fazer na vida“: pilotar um barco. Até o fim do dia, todo mundo a bordo tinha experimentado essa aventura.

Stiniva (Vis)

O segundo destino era a praia de Stiniva, que fica em outra ilha da Croácia, chamada Vis. Stiniva foi eleita em 2016 a praia mais linda da Europa, mas nós só a conhecemos de longe.

O motorista do barco perguntou se gostaríamos de ir nadando até a costa e ficar por lá algum tempo. Se você reparar nas fotos abaixo, vai ver um negócio branco na água demarcando o limite de ultrapassagem.

Eu queria muito conhecer a praia, mas mesmo sabendo nadar, tenho medo de me aventurar onde não consigo encostar o pé no chão. Então, fizemos uma rápida votação entre os passageiros e optamos por seguir adiante com o passeio. Na verdade, acho que ninguém estava com coragem de entrar na água, pois o Sol ainda não estava a pino e tinha um ventinho gelado.

Green Cave (Ravnik)

A Green Cave fica localizada na ilha Ravnik e, apesar de bonita, não é tão linda quanto a Blue Cave, mas pelo menos os turistas podem nadar lá dentro. O problema é que a caverna estava MUITO gelada! Pra ajudar, não era a época mais quente do ano (últimos dias de setembro) e a única luz solar do lugar entrava através de um pequeno buraco na superfície da caverna.

Quando o barco parou, acho que os alemães foram os primeiros a entrar na água. Pouco a pouco a galera foi criando coragem e eu não podia ficar pra trás, né?! Como já comentei, eu tenho medo de nadar em lugares fundos, então coloquei o colete salva-vidas e convenci a Raquel a fazer o mesmo (sim, sou dessas neuróticas).

Nadamos até o raio de luz que refletia na água e conseguimos uma única foto decente desse momento. Foi muito engraçado porque a Raquel ficava berrando pro motorista do barco, o Ivan, pegar a câmera dela para fazer as fotos. Ele até que tirou várias, mas ficaram todas tremidas.

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A Green Cave (ao fundo) tem esse nome porque sua superfície é coberta de vegetação verde

Blue Lagoon

A Blue Lagoon é uma lagoa que existe entre três pequenas ilhas e a água lá é cristalina. Impossível não ficar com vontade de se jogar naquela imensidão azul!

Tá vendo esse “píer” de madeira nas fotos acima? A Raquel também sentou ali pra tirar foto e quando ela levantou tinha cocô de passarinho na bunda. Quem avisou foi o motorista de um outro barco, que sem dúvidas tava prestando bastante atenção na comissão traseira da menina. E foi assim que a Raquel conheceu o Branimir, que mais tarde veio a ser o lorão croata que conquistou o coraçãozinho dela.Blue Lagoon - Croácia 3

Ficamos na Blue Lagoon por cerca de uns 15 minutos e depois fomos para Hvar, uma das ilhas mais famosas do Mar Adriático.

Hvar

Já era mais de 14h quando chegamos em Hvar e fomos direto para um restaurante, o qual serviria o tal do almoço incluso no pacote. Tiramos algumas fotos no caminho:Hvar 1Hvar 2

O restaurante era bem normal, nada que valesse uma foto, rs. Pegamos uma mesa e o casal de alemães sentou com a gente e já começamos a fazer amizade.

Podíamos escolher entre dois pratos: peixe com purê e vegetais ou carne com batata. Nenhum deles era bem-servido e estavam longe de serem maravilhosos, mas pra mim foi o suficiente. Eu escolhi a primeira opção e a Raquel preferiu a segunda. Quando nossos pedidos chegaram, eu identifiquei o quanto minha companheira de viagem é infantil: ela comeu um pouquinho e começou a chorar.

O fato é que a Raquel diz ter o metabolismo muito acelerado e por isso a bicha precisa comer BASTANTE. Mas é bastante mesmo e aquele pratinho de comida não seria o suficiente pra matar a fome dela. Pagamos um valor alto pelo passeio (que já não teve o café da manhã que a Raquel imaginava),  então ver aquela quantidade de comida no prato foi a gota d’água.

Eu não sabia se ficava com vergonha ou com dó do desespero da menina, ela chorava igual criança. Por fim, a Raquel conversou com os caras do barco e o pessoal do restaurante deu outro prato pra ela comer, um que não fazia parte do cardápio do passeio, mas ela viu na mesa de outro cliente e ficou com vontade. Além do almoço, tinha sobremesa inclusa: um pedaço de cheesecake com calda de frutas vermelhas.

Sem mais fome (e sem mais drama, rs), fomos passear e conhecer a ilha de Hvar. Não fazíamos ideia do que fazer, então seguimos o fluxo de pessoas e fomos parar em uma trilha na montanha, que termina no Forte de Hvar (Spanjola Fort). Subimos o morro em slow motion por motivos de: barriga cheia + Sol escaldante = leseira. Mas quem liga pra isso quando o caminho é lindo e a vista lá do alto é de tirar o folego?!

Hvar 9

No meio do caminho tinha uma passagem. Uma passagem tinha no meio do caminho.

Hvar 10

Olha essa vista se não é muito f#d@!!!

Hvar 11

Foto com a bandeira da Croácia: check! Esse lugar é o ponto mais alto da ilha, onde fica o Forte de Hvar (Spanjola Fort)

Depois de visitar o Forte, voltamos para a costa e passeamos pela Riva (nome que os croatas dão ao calçadão beira-bar) até chegar na praia de Lučica.

Hvar 12

Beach Lučica

 

Hvar 13

Beach Lučica

 

Nós tiramos nossas 9834154 fotos e já estávamos prontas para estender a toalha e pegar um Sol quando o Ivan nos encontrou. Só faltava a gente pra entrar no barco e voltar pra Split, isso já era 17h. O trajeto durou cerca de 2h, com direito a muito vento, água gelada na cara e um pôr do sol inesquecível.

Quando muitas pessoas legais estão em um mesmo lugar, é praticamente impossível não rolar aquela amizade sincera. E foi o que aconteceu no barco. Voltamos todos dançando ao som de Bailando, do Enrique Iglesias (juro que só tocava isso na Croácia).

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No fundo está o Ivan e o dono do barco que era muito legal, porém não lembro o nome dele. Na lateral esquerda está o casal Americano (o menino tá cortado, mas tá na foto!). Do lado da Raquel estão os alemães (os mais legais do rolê), o casal da Nova Zelândia (a gente jurava que eles eram brasileiros, olha a carinha deles) e o casal que não se misturou.
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Hora de dar tchau pros migos ='( Reparem que eu estava sem jeito, não sabia se podia abraçar o gringo! hahaha

Do lixo ao luxo: como saímos de um terrível Couchsurfing para um Airbnb topssímo

Se você acompanhou o Dia 1 da viagem, sabe que passamos a noite em uma casa bem suja, com péssimas condições de acomodação. Precisávamos arrumar outro lugar, então o plano era procurar um novo host no Couchsurfing assim que a gente voltasse para a casa do Tomislav, que estava nos hospedando.

Mas o destino foi muito bom com a gente, se liga nesta história.

Na cabine do barco tinha um “puxadinho”, como se fosse um sofá-cama. Não lembro o exato momento, mas acho que foi quando a gente estava pilotando a lancha que eu disse brincando pro Ivan: “podemos dormir no seu barco? Não temos onde passar a noite hoje.” E ele respondeu na maior tranquilidade: “pode, mas vocês não precisam dormir aqui. Eu tenho um apartamento que alugo pelo Airbnb e vocês podem ficar por lá”. Hahahaha, tá brincando, né migo? A gente não tem dinheiro não!

Contamos pro Ivan que nossa viagem era low cost, fazíamos Couchsurfing e não tínhamos condições de pagar por uma acomodação. Sabe o que ele disse? “Não precisa, agora não é mais alta temporada, ninguém vai alugar mesmo, podem ficar sem problemas”. MAS O QUE? Não podia ser verdade, afinal, quando a esmola é demais o santo desconfia.

Nos despedimos da galera e combinamos com o Ivan que a gente ia pra casa pegar nossas malas e nos encontraríamos com ele mais tarde na Riva (calçadão à beira-mar).

Fizemos isso, mas antes de ir pra Riva procuramos por pessoas que pudessem nos receber no Couchsurfing, just in case, vai que o Ivan desaparece e nos deixa ao relento. Felizmente, ele apareceu na hora marcada e nos levou até o apartamento, localizado no coração de Split, na rua mais movimentada do comércio.

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Viado, pensa em um apartamento top! Dois quartos, sala, cozinha, banheiro gigante, máquina de lavar roupa e até toalha pra gente. Tudinho de graça! Isso é o que eu chamo de ir do lixo ao luxo. Olha na foto ao lado a alegria da criança que dormiu praticamente no chão e agora ia para uma cama gigantesca.

Detalhe: deveríamos ir pra Dubrovnik no dia seguinte, mas era tanto arrego que decidimos ficar mais uma noite em Split, curtindo aquele apê gigante (e também pra dar tempo de secar as roupas que lavamos na máquina, hahaha).

Enfim, depois de tomar banho, nos arrumamos pra sair com o Branimir – aquele cara que gamou na bunda da Raquel. Ele nos levou em um local frequentado por croatas e nos recomendou um lanche típico da região. Comemos e estava uma delicia!

 

Uma das grandes vantagens em fazer Couchsurfing é passear com pessoas que moram na cidade, pois elas vão levar você nos lugares mais legais, frequentados pelos próprios moradores. Não tem essa de só visitar ponto turístico!

Além da lanchonete, o Branimir nos levou em um bar/balada que era bem pequeno e bem diferentão. Eu tirei uma fotos da decoração:

O Ivan, primeiro da foto acima, deu uma passada rápida no bar e já foi embora, pois precisava acordar cedo no dia seguinte. Nós três seguimos para outro lugar, dessa vez uma balada bem grande.

Diferente do Brasil, lá na Croácia não tem lei anti-fumo, então os caras fumam dentro dos lugares mesmo. Inclusive o lorão da Raquel fumava, eu já tava morrendo com o cheiro de cigarro.

Uma coisa que reparei no segundo lugar que conhecemos é que tem gente vestida de tudo quanto é jeito na balada e eles dançam loucamente, de um jeito muito engraçado. Sério! Eu chorava de rir com a dancinha do Branimir.

Importante: a Raquel é bem doidinha e esse é um dos motivos pelo qual ela não bebe nada alcoólico. Eu até bebo socialmente na companhia de quem eu confio, então, também não ingeri nada alcoólico naquela noite.  (Não aceite bebida de estranhos, criança!)

Acho que fomos pra casa por volta da 1h, morrendo de sono. Tínhamos que acordar cedo no dia seguinte, pois compramos um passeio para o Krka National Park.

Gastos do dia

Dia 29/09/2016
6,50 HRK - Folheado (café da manhã)
20 HRK - Cone com mini donuts (quando voltamos pra Split)
17,50 HRK - Lanche + Coca-Cola (janta)

TOTAL: 44 Kunas Croatas = €6,28
Transporte para o Krka National Park (pago em euros): €23

Dia 1 – Split, Croácia

Faz exatamente um ano (28/09/2016) que embarquei na maior aventura da minha vida: um mochilão com uma desconhecida. Uma desconhecida que virou irmã e com quem compartilho as histórias mais loucas que já vivi. (Obrigada, Raquel ♥)

Eu queria ter escrito este post há muito tempo, mas, pensando bem, é mais emocionante reviver tudo o que aconteceu agora.

Vamos lá, então! Essa aventura começou bem cedo: nosso primeiro voo sairia de Dublin às 7h20 com destino a Zadar, na Croácia. Ainda em Dublin, eu peguei o primeiro ônibus do dia com destino ao aeroporto, por volta das 5h. A Raquel fez o contrário: pegou o último bus da noite anterior e virou a madrugada no aeroporto fazendo a unha e outros nadas (a bicha é doida mesmo!).

Fomos para a Croácia apenas com as passagens áreas para entrar e sair do país, apesar de o nosso roteiro incluir cidades que ficavam bem longe uma das outras. Acabamos nos enrolando e decidimos comprar as passagens de ônibus na hora de embarcar, conforme a necessidade.

Pit Stop em Zadar

Nosso voo pousou em Zadar e, assim que aterrissamos, trocamos nosso dinheiro no minúsculo aeroporto da cidade. Um euro equivale a 7 Kunas Croatas (a moeda da Croácia). Isso significa que, se você ganha em euro, esse país é um destino muito econômico para viajar (além de lindo).

De lá, pegamos um ônibus para a rodoviária (15 minutos de trajeto) e, com muita sorte, conseguimos comprar a tempo as passagens com destino a Split, a primeira cidade do nosso roteiro. Ficamos boladas na hora de embarcar porque eles cobram uma taxa extra pra levar as malas no bagageiro (foi o €1 mais sofrido das nossas vidas).

Mochilão Split Croácia
Primeira foto do mochilão, no ônibus indo para Split

A viagem de ônibus durou 3h e holy shit que estradas mais fodas do mundo!!!!! Sério, muito surreal. Parecia coisa de filme mesmo. As duas tapadas ficaram tirando fotos pela janela, certeza que as pessoas pensaram que a gente tinha probleminha, rs. As imagens abaixo da excelente câmera do meu celular representam apenas 0,1% da beleza daquele lugar.

A charmosa e velha Split

Chegando em Split, a primeira coisa que fizemos foi achar um lugar onde pudéssemos usar o wi-fi para falar com o nosso host do Couchsurfing, chamado Tomislav Svalina. Ele não estava em casa no momento, mas havia uma menina hospedada lá (couchsurfer) que poderia nos receber.

Não sei explicar direito, mas pra resumir bem, ele morava em um prédio super velho e apertadinho, com 3 andares. Cada andar era uma casa e a dele ficava no último. Foi tenso subir aquilo com as malas. Enfim, depois de ficar um pouco perdida naquelas ruelas que parecem todas iguais, achamos o lugar e a menina nos recebeu. Ela era da Polônia, estava em um quartinho minúsculo com uma cama de solteiro e um banheiro que não tinha energia elétrica (mas ok, pois dava pra tomar banho no banheiro do host).

A história é que essa menina havia solicitado acomodação antes de nós e deveria ir embora no dia em que chegamos, mas ela decidiu ficar mais tempo. Porém, nos disse que poderíamos dormir no quartinho e ela iria para a cozinha (salva essa informação aí). Trocamos de roupa, deixamos as malas na casa e fomos conhecer a cidade (e procurar um cartão de memória para a câmera da Raquel).

Split é uma cidade litorânea bem pequena e charmosa. Nós aproveitamos o primeiro dia para conhecer a Old Town e passear pelo gigantesco calçadão à beira mar, mais conhecido como Riva na Croácia.

Mochilão Split Croácia
 
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Mochilão Split Croácia
Palácio de Diocleciano / Diocletian’s Palace

Mochilão Split Croácia

26 Split (21)Eu tava louca pra comprar um chinelo, pois o único calçado que levei no mochilão foi o meu companheiro All Star. A Raquel me influenciou a comprar o PRIMEIRO chinelo que achamos em uma feirinha de rua lá em Split, dá uma olhada na bizarrice, a parte da frente é gigantesca. E sim, aquilo é a bandeira do Brasil, pois o mundo todo sabe que chinelo de qualidade é o da nossa Pátria Amada, rs. Mããããs isso ali tá longe de ser uma Havaianas ou Ipanema. Depois de comprar essa preciosidade, achei uns chinelos para pés normais e queria matar a Raquel.

Eu estava sem chinelo por motivos de: 1) esqueci de levar um do Brasil para a Europa, 2) comprei um chinelo na Penneys (Primark) e ele esfarelou, 3) deixei para comprar um novo antes da viagem e simplesmente não tinha chinelo pra vender em lugar algum de Dublin (já estávamos no outono e eles só vendem isso no verão, wtf). 

Além de estar no litoral sem chinelo, eu também não tinha toalha de praia. Então, comprei uma maravilhosa na feirinha de rua e paguei a pechincha de 50 kunas, que equivalem a €7 ou R$25 (ou algo do gênero).

Na Riva de Split (calçadão à beira-mar) tem várias lojinhas que oferecem passeios turísticos pela região. Encontramos um que custava €90 e prometia nos levar para umas 7 ou 8 ilhas da costa, incluindo Hvar (pronuncia-se RUAR), uma ilha famosa e que queríamos muito conhecer. Além disso, parecia ter café da manhã e almoço inclusos no pacote. A Raquel ficou doidona com aquilo, ela queria muito ir e me convenceu a comprar, mesmo eu achando que o preço era um absurdo de caro. Ok, então, tínhamos um passeio de barco marcado para o dia seguinte.

No fim do primeiro dia, passamos no mercado e compramos uma Sprite pra dividir. Eu só estou simplesmente bolada aqui porque anotei TODOS os gastos da viagem e o único “alimento” que aparece na minha lista nesse dia é sorvete, além do refrigerante e de uma garrafa d’água. Muito provavelmente, a gente comeu apenas as bolachas que levamos dentro da mala pra economizar dindim, rs.

A primeira e pior experiência no Couchsurfing

Foi um desespero na hora de voltar para a casa do nosso host, pois não conseguíamos achar o lugar, ficamos perdidas. Muito tempo depois, quando finalmente encontramos, nem o host e nem a menina que havia nos recebido estavam em casa. Por ser uma área residencial, não tinha chance alguma de conseguirmos um sinal de wi-fi liberado pra falar com o Tomislav. Então, fui atrás de pessoas na rua que soubessem inglês e que pudessem ligar para o cara avisando que estávamos lá e que queríamos entrar na casa. Um homem bondoso nos fez essa gentileza.

O host estava jantando com uns amigos, foi lá abrir a casa pra gente e disse que a polonesa que nos recebeu mais cedo iria continuar dormindo no quartinho, e que eu e a Raquel deveríamos dormir na cozinha. Parece ok, não é mesmo? Mas ele nos deu um minúsculo colchonete inflável (não posso chamar aquilo de colchão) e um saco de dormir. Eu já não tinha gostado de ter que dividir uma cama de solteiro com a Raquel, rsrs, mas dormir naquele saco ou no colchonete parecia ser bem pior. O Tomislav nos entregou a chave da casa, desejou boa noite e voltou para o jantar dele.

Aí começou o pesadelo. Pra tomar banho foi até que ok, mas a cozinha/sala do cara era imunda. A Raquel pegou o saco de dormir e em 2 minutos a bicha desmaiou lá dentro. Fiquei MORRENDO de inveja dela!!! Eu enchi o colchonete inflável, coloquei todos os pijamas possíveis (levei duas calças, uma blusa de frio e outra de calor para dormir) e me cobri com a toalha nova (o host não nos deu cobertor). Eu simplesmente não conseguia dormir. Levantei de madrugada morrendo de frio pra pegar o meu casacão e então vi que o Tomi havia deixado algumas cobertas na cadeira da cozinha. Peguei elas e me cobri. Nunca mais parei de espirrar!!!!! Minha rinite alérgica atacou de uma maneira que eu preferi passar frio do que ficar com aquelas cobertas infestadas de poeira em cima de mim. Pra ficar um pouquinho “melhor”, o colchonete estava furado e esvaziou, eu amanheci deitada no chão duro.

O Tomislav, host que nos hospedou, parecia ser legal, apesar de não ter nos dado muita atenção. Mas aquela casa suja e a noite mal dormida foi a minha pior experiência no Couchsurfing. Que ironia, não é mesmo? Justo na primeira vez usando o aplicativo. O importante é que as outras 40 noites foram sucesso (e outros adjetivos a mais).

Acordamos na manhã seguinte com a certeza de que não poderíamos passar mais um dia sequer naquele muquifo.

Gastos do dia

Dia 28/09/2016
25 HRK - Ônibus aeroporto-rodoviária
75 HRK - Ônibus Zadar-Split
8 HRK - Bagageiro ônibus
6,49 HRK - Garrafa de água
16 HRK - Sorvete
50 HRK - Chinelo 
50 HRK - Toalha 
4,25 HRK - Sprite
TOTAL: 234,74 Kunas Croatas = €33,53
Passeio de barco (pago em euros): €90

O pior dia no intercâmbio: fui multada no ônibus

Nunca imaginei que um dia sentiria falta dos biarticulados de Curitiba que passam a cada 6 minutos ou dos terminais de ônibus. Em Dublin, não tem canaleta do expresso e nem terminal, é comum andar umas quadras para pegar o próximo bus e alguns demoram uma eternidade para passar. Reclamações à parte, tem muita coisa boa pra contar.

Como funciona o sistema de ônibus em Dublin

Os ônibus da capital irlandesa têm dois andares, wi-fi e bancos confortáveis para sentar (sério, é tipo sofá de casa), então você dificilmente ficará de pé. Ah, se o motorista achar que o busão está muito cheio, ele passa reto pelo ponto, o problema é que o conceito de ônibus lotado deles é BEM diferente do nosso. Se já não bastasse a mordomia, todos eles possuem câmeras e o motorista tem acesso às imagens em tempo real. Igualzinho no Brasil, nénão?!

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Photo by Changmin Youn – my Korean friend 😉

Quanto aos gastos, é tudo bem relativo. Literalmente. O valor da passagem depende da distância que você quer percorrer e da forma de pagamento. Normalmente, o passageiro diz pro motorista em qual ponto quer descer e ele vai dizer quanto custará. Eles não aceitam dinheiro em papel, somente moedas, que devem ser depositadas em uma caixa de metal ao lado do motorista, ou o cartão do transporte público – Leap Card. Em moedas o trajeto vai custar X, mas com o Leap Card ele pode custar Y (mais barato que X).

Quem paga a passagem em dinheiro precisa ficar atento. Primeiro, o motorista irá entregar um ticket em papel, comprovando que você pagou pela passagem, caso entre algum fiscal no ônibus. Então, é importante manter o ticket até desembarcar. Segundo, o motorista não devolve troco. Mas isso não é motivo de preocupação, pois o ticket informa o valor depositado na caixinha, basta guardar o papelzinho e solicitar o reembolso do troco junto ao órgão competente. Para pagar com o Leap Card é preciso validá-lo em um dispositivo semelhante ao que utilizamos para pagar com o cartão de transporte coletivo no Brasil.

Cartão de transporte para estudantes – Student Leap Card

Na maioria das vezes em que eu pegava ônibus o trajeto custava €2,70. Esse valor para ir + o valor para voltar = uma fortuna para os meros estudantes intercambistas. Para a nossa salvação, eles oferecem o Student Leap Card, um cartão exclusivo para estudantes e que permite pegar quantos ônibus quiser por dia no valor de €5. É ainda mais vantajoso pra quem precisa usar esse transporte público diariamente: se você carregar €20 todo domingo à noite e começar a usar o cartão na segunda, você poderá andar de bus gratuitamente até o próximo domingo. Ou seja, os €20 serão gastos na segunda, terça, quarta e quinta, mas o cartão ainda validará sexta, sábado e domingo. Além disso, vários estabelecimentos, como Boots e McDonald’s, são conveniados ao Student Leap Card, basta apresentar o cartão para ganhar um desconto no valor final da compra. Resumindo, um estudante em Dublin irá gastar no máximo €80 por mês para utilizar somente ônibus. Muito importante: o cartão de estudante contém a foto do usuário, sendo de uso pessoal e intransferível.

Minha rotina e o pior dia do intercâmbio

Eu precisava pegar 4 ônibus por dia para chegar ao trabalho (dois para ir e dois para voltar) e os pontos ficavam a algumas quadras de distância um do outro. Certo dia, quando fui trocar de ônibus na volta pra casa, percebi que meu cartão não estava mais no bolso da calça e tive que terminar o trajeto a pé. Peguei o Student Leap Card do meu namorado para ir trabalhar no dia seguinte e foi então que entraram dois fiscais no ônibus em que eu estava. Eu vi que uma galera desceu no ponto quando perceberam que os caras iriam entrar, mas eu nem me liguei que estava irregular… Peguei o cartão emprestado, que mal tinha? Não roubei nada de ninguém. 😦  Mas lei é lei!

O fiscal confiscou o cartão do meu namorado, anotou o endereço da minha casa e me deu uma multa no valor de €50. Pode parecer piada, mas esse foi o meu pior dia em Dublin. Eu chorei feito criança enquanto ele me aplicava a multa. Sério. Eu já contei em outro post que cada centavo em euro faz uma grande diferença, imagina jogar 50 conto fora desse jeito. Pra piorar minha situação, eu ainda estava no primeiro ônibus quando fui multada e não tinha dinheiro para pagar o segundo bus. Aos prantos, pedi informação na rua perguntando onde tinha um ATM (caixa eletrônico) pra eu poder sacar dinheiro, depois ainda tive que comprar alguma coisa pra trocar as notas por moedas. #ódiomortal

Seria menos dramático se isso tivesse acontecido no caminho para algum lugar legal e em boa companhia, mas eu estava sozinha indo pro meu trabalho escravo que eu tanto odiava. Então sim, foi o pior dia ever! E bem lá no fundo, não tenho certeza do que me fez chorar mais, se foi pelo dinheiro ou pela vergonha de ter sido pega fazendo algo de errado.

O transporte público como um todo

Na capital irlandesa também tem o LUAS  (tipo um bondinho moderno que circula pela cidade) e o DART (o trem que faz trajetos mais longos). Eu raramente usava esses meios, então não me recordo dos valores da passagem, mas sei que eu precisava pagar à parte, pois os €20 semanais do Student Leap Card não eram válidos para o LUAS e o DART (se eu não me engano, para usar ônibus e luas custava €30 por semana).

Não posso falar pelo transporte público do Brasil, mas o de Curitiba é muito bom. O que mais deixou a desejar no sistema de ônibus de Dublin foi a ausência de um terminal para facilitar a troca e conexão de linhas e o fato de os ônibus não passarem com tanta frequência (não pelo menos com a que eu estava acostumada na minha cidade). São coisas pequenas, mas realmente me irritava o fato de ter que andar umas quadras pra pegar outro ônibus e ficar passando frio até ele chegar… Aqui em Curitiba a gente tem as estações tubo, não precisamos pegar chuva e vento à toa, quem gosta disso é irlandês! 😉

É fácil arrumar emprego em Dublin?

A Irlanda ocupa a 4° posição no ranking de melhores salários do mundo, oferecendo o mínimo de € 9,25 por hora (o valor era € 9,15 em 2016), o que atrai não só os brasileiros, mas pessoas das mais diferentes nacionalidades. Hoje, apenas três países autorizam estudantes estrangeiros (curso de inglês) a trabalhar legalmente, são eles: Irlanda, Austrália e Nova Zelândia. Como eu já contei no primeiro post do blog, entre esses destinos, a Irlanda era a minha última opção, já que eu não gosto de frio, porém o orçamento falou mais alto e eu acabei indo para Dublin. Digamos assim que eu fiz meu intercâmbio com o dinheiro contadinho para sobreviver por 6 meses, dessa forma, se eu quisesse viajar para outros lugares, deveria arrumar um emprego e juntar a grana.

Meu primeiro trabalho em Dublin foi como babá (childminder), mas acabou durando somente um mês, aproximadamente. Se você clicar aqui, vai poder conferir como consegui essa vaga sem enviar sequer um currículo e o que achei da função. Quando essa experiência chegou ao fim, comecei a enviar meu cv para diversas vagas e o foco era um só: arrumar emprego, eu não fazia muita questão de selecionar o cargo, o que aparecesse era lucro.

Se você não é fluente em inglês, provavelmente vai trabalhar com subemprego. As vagas mais comuns são para kitchen porter, waiter/waitress, cleaner, housekeeper, childminder e au pair. De acordo com a lei, o estudante estrangeiro pode trabalhar até 20 horas semanais (part-time) durante as aulas e até 40 horas semanais (full-time) nas férias e período de Natal. Assim como no Brasil, o trabalhador registrado na Irlanda também tem um desconto salarial, obviamente não aplicado quando não se tem registro. Muita gente prefere trabalhar ilegalmente para evitar esses descontos e juntar mais dinheiro, trabalhando mais horas que o permitido.

Entrevistas

A primeira entrevista que eu fui em Dublin, por incrível que pareça, era pra trabalhar na minha área de formação – comunicação. O cargo era para social media e assistente de marketing em uma loja de e-commerce que vendia vestidos de festa. Fui na fé, mas saí de lá sabendo que não seria contratada, e não foi nem pelo meu nível de inglês, mas sim porque a entrevistadora me fez perguntas do tipo “qual sua marca de roupa preferida?“, “me fale uma pessoa famosa que você admira“, “qual sua banda favorita?“, e eu fiquei tão nervosa que só conseguia pensar em marcas/artistas do Brasil, deixando a mulher com cara de perdida. Em todo caso, valeu a experiência. Ah, todo o processo de agendar a entrevista foi realizado por e-mail, eu ainda não tinha falado inglês ao telefone.

Continuando a saga, a vida estava ficando chata, porque a única coisa que eu fazia em casa era ficar em frente ao notebook enviando currículos, me candidatando em sites de au pair, etc. A diferença entre au pair e childminder é que a au pair mora na casa da família, não precisa pagar aluguel e ainda recebe dinheiro para cuidar da criança. Já a childminder é a babá que vai até a casa da família, trabalha algumas horas e depois vai embora. As duas opções têm muitos prós e contras. Algumas famílias acabam “abusando” das au pairs, pois pagam menos que o determinado pela lei e fazem elas trabalhar mais do que o combinado. Têm meninas que encontram famílias maravilhosas e outras que comem o pão que o diabo amassou, rsrsrs. Enfim, como eu morava com o meu namorado Luiz, não fiz muita questão de ser au pair, mas cheguei a fazer uma entrevista com uma família e acabou não dando certo. Ah, depois de trocar alguns e-mails, a entrevista foi marcada por sms (os irlandeses amam mensagem de texto do celular!!! Quem é que ainda usa isso em tempos de WhatsApp??). O casal me entrevistou em um restaurante, enquanto almoçavam, achei bizarro, ainda mais que eles nem me ofereceram comida kkkk.

A terceira entrevista foi em uma rede de hotéis luxuosos, bem no centro de Dublin. A vaga era pra housekeeper, em português, camareira: a pessoa que troca a roupa de cama, limpa os quartos e banheiros do hotel. Tive algumas amigas que trabalharam na função e me contaram que é bem puxado, você precisa ser ninja pra atingir a meta de quartos a serem limpos no dia. Enfim, a pessoa me enviou um e-mail e pediu pra agendar a entrevista por telefone, meu coração bateu tão rápido que pensei que fosse desmaiar, mas quando desliguei o celular, fiquei felizona porque consegui entender e falar tudo certinho =) Achei que a entrevista foi um sucesso, mas não deu certo =/

Além das vagas on-line que eu me candidatava, também entreguei vários currículos pessoalmente em lojas, restaurantes, quiosques… Distribuí no comércio do bairro onde eu morava e também nos shoppings e centros comerciais, que ficam mais afastados do centro de Dublin. Apesar de ser cansativo, eu até que gostava da atividade, principalmente porque o pessoal era simpático comigo.

Um dia, durante a manhã, meu celular tocou e o homem do outro lado da linha pediu pra eu comparecer em algum lugar (que não consegui entender) e ir vestida com uma blusa preta. Graças aos céus, ele me enviou um sms com o endereço: um café-restaurante chamado Red Cherry Cafe, localizado dentro do Omni Shopping Centre, que fica perto do aeroporto de Dublin. E foi assim que começou a pior experiência de trabalho da minha vida (não que eu tenha muita pra contar, mas espero que essa continue sendo a pior).

No total, minha busca por emprego durou cerca de 1 mês até eu ser contratada. Foi um tempo até que curto, mas como eu só fazia isso da vida, me pareceu uma eternidade. Tem gente que fica meses em Dublin e não consegue arrumar nenhum trabalho fixo, somente bicos, que foi o que aconteceu com o Luiz, meu namorado. Ele trabalhou de cleaner em alguns eventos, inclusive no show do Red Hot Chili Peppers na Irlanda do Norte #inveja

Acredito que vai do empenho + sorte de cada pessoa. Eu achei que tive muita sorte, até começar a trabalhar e ver que eu tinha ido parar no inferno… 

Minha experiência trabalhando em um café-restaurante

Quando cheguei no local, o Marty, dono do estabelecimento, falou rapidamente comigo, de maneira rude, me deu uma touca e um avental e mandou eu trabalhar. Até então, eu achei que estava indo fazer uma entrevista, mas já era pra “colocar a mão na massa”. Como eu não sabia, depois de algum tempo trabalhando, peguei o celular pra avisar meu namorado que eu ia ficar lá até não-faço-ideia-quando e o Marty me deu uma bronca, dizendo que o aparelho deveria ficar na minha bolsa, guardada embaixo do balcão, e não no bolso de trás da minha calça.

Minha sorte de iniciante é que naquele dia tinha uma menina brasileira trabalhando e ela me ensinou muita coisa que o Marty deixou passar. A dica número 1 que eu recebi foi: nunca, jamais fique parada. Isso mesmo, se todas as mesas estivessem limpas, eu deveria fingir que não estava e passar o pano de novo, qualquer coisa para não ficar parada e ganhar uma ofensa gratuita do melhor chefe do mundo =)

Passei no meu “trial“, o nome que eles dão para o dia de experiência, que você geralmente trabalha de graça, e fui contratada para ser garçonete (waitress). O pagamento era semanal, proporcional às horas trabalhadas. Nós tínhamos horário para entrar, mas nunca para sair, então a remuneração não era fixa. Teve dias em que trabalhei 2 horas e outros em que fiquei 8 horas no café, dependia do movimento, se estivesse fraco, eles me dispensavam. Na teoria, eu deveria receber € 9,15 por hora (eu não era registrada, então não poderia ter descontos), mas o querido Marty gostava de arredondar os valores, então ele sempre descontava alguns eurinhos do meu salário (exemplo: ao invés de € 274,50 por 30 horas de trabalho, eu receberia € 270,00 – pode parecer pouco, mas cada centavo em euro faz diferença). Assim, digamos que eu ganhava em média € 9 por hora e conseguia tirar entre  € 180 a  € 270 por semana (comecei a trabalhar enquanto estudava, então no início era part-time e depois virou full-time).

A grande vantagem de ser garçonete é ganhar gorjeta, e vou contar pra vocês que os irlandeses são generosos, pelo menos lá no café, eles quase sempre depositavam o troco na “caixa de gorjetas”. Se algum cliente deixasse dinheiro na mesa, nós deveríamos colocar nesse mesmo potinho, que ficava no caixa. Porém, o valor não era dividido entre os funcionários, então a brasileira me passou mais uma dica valiosa: se tiver dinheiro na mesa, pode colocar no bolso da calça (o avental tinha bolso e o chefe conferia pra ver se não havíamos esquecido alguma moeda lá, absurdo!!!). A gorjeta que deixavam na mesa era só umas moedinhas, acho que o máximo que já juntei foi € 5,00 em um dia de trabalho. Uma amiga minha era garçonete em um restaurante no Temple Bar e chegava a ganhar € 60,00 por noite, isso sim que é riqueza!!!

O Red Cherry Cafe abre de domingo a domingo e a escala de trabalho é: 5 dias de labuta e 2 de folga. Dessa forma, me despedi dos meus fins de semana. Eu trabalhava quase todos os sábados e, geralmente, ganhava folga no domingo e na terça (ou quarta ou quinta). Eu ficava de cara porque sábado era o dia de maior movimento, aquele lugar parecia um inferno, minha semana era mais feliz quando eu trabalhava domingo ao invés de sábado.

O lugar funciona assim: a pessoa chega no balcão, faz o pedido, paga no caixa e vai sentar. Minha função era ficar atenta e ouvir se alguém chamasse meu nome, ir até o balcão, pegar o prato e/ou bebida e levar até a mesa da pessoa. Os pratos principais são sopas e sanduíches, mas também servem almoço (carne + acompanhamento), bolos, tortas e, claro, muito café, cappuccino, latte e afins. Além de servir, eu também tinha que limpar as mesas e o chão, guardar a louça lavada, repor as bebidas no refrigerador e itens como sal e açúcar, que ficavam em um balcão “self service” no meio do restaurante.

Era um espaço pequeno, com 24 mesas no total, cada uma com 4 cadeiras. As mesas eram organizadas em 4 fileiras nomeadas por uma letra + um número (fileiras A, B, C e D, números de 1 a 6 para cada fileira). Por exemplo, tinha uma mesa chamada B2 e outra D2. Assim como no português, o som das letras B e D também é parecido em inglês, então é normal não entender direito ou confundir a mesa. Se isso acontecesse, dava merda pra quem? Pra mim, claro, a pessoa que entregava o pedido. Sou descendente de italiano, filha de catarinense, falo alto justamente porque não escuto direito. Imagina em outro idioma, em um lugar lotado de gente falando uma língua que não é a minha materna e, pra finalizar, um inglês com sotaque africano e polonês. Ah, sim, o Marty é o único irlandês do lugar, a gerente e o chef vieram de algum país perto de Madagascar (África) e as outras meninas são da Polônia. Quando eu entrei, também tinha a Yeni, que me ajudou, e o Tiago, ambos brasileiros. Enfim, guarde a informação sobre a organização das mesas, que a gente já volta a conversar sobre isso.

Como tratar bem um funcionário

Logo no meu primeiro dia naquele restaurante (o nome é Red Cherry Cafe), um cliente tinha me pedido alguma coisa e quando eu perguntei onde ficava, o Marty gentilmente disse “na cozinha, onde você acha? comece a usar seu cérebro, é pra isso que você tem um!“. Já percebi ali que a parada ia ser punk…

Só conheci a gerente no meu segundo dia (comecei a trabalhar na folga dela) e, sinceramente, não sei se é possível dizer qual dos dois é mais desagradável: a Veema, gerente, ou o Marty, dono do café. Ela implicava com TUDO o que eu fazia, e é verdade, porque a Yeni, brasileira, disse que era a mesma coisa quando ela começou a trabalhar lá. O episódio mais marcante foi em um dia que o café estava lotado e eu troquei os pedidos. A Veema me chamou na cozinha e começou a gritar comigo, dizendo algo do gênero “não fode com o meu café, essa é a última vez que você troca um pedido, ou então eu vou ter que contar para o Marty“. Foi nesse momento que eu vi que estava amadurecendo e aprendendo a lidar com pessoas mal-educadas: em outras épocas, eu teria chorado se alguém gritasse comigo daquele forma, mas, na ocasião, eu saí rindo e me perguntando o que eu ainda estava fazendo ali.

Ah sim, lembra das mesas B2 e D2? Eu sempre confundia, inclusive as das letras A e C. Eu juro pra vocês que a gerente e aquelas polonesas falavam qualquer língua, menos inglês. A Paula e a Paulina eram da Polônia, elas que montavam os pratos. A primeira era best friend da gerente e ela sempre falava o nome da mesa bem baixinho quando a Veema estava por perto, parece que era de propósito só pra eu dizer que não escutei, pedir pra ela repetir e levar uma bronca por ser “surda”. Já a Paulina era um amor de pessoa, muito querida, e eu morria de dó dela porque a bichinha chorava todo santo dia no trabalho! Eles gritavam com ela, e ela ainda era taxada de sensível. Me poupe, se poupe, nos poupe, não é a menina que é sensível não, é o chefe e a gerente que são insensíveis!!!! Pois então, o sotaque delas era bem complicado, mas eu acabei me acostumando. Uma coisa que me deixava com muita raiva era quando elas falavam a mesa errada e eu levava a culpa. A gerente chegava a pegar o prato da minha mão e ir até a mesa que eu tinha acabado de voltar, só pro cliente falar mais uma vez que não havia pedido aquilo… Pra fechar, ela ainda dizia que EU não tinha escutado direito.

A Veema ficava puta da cara quando me pedia algo que eu não fazia ideia do que ela estava falando, porque ninguém havia me ensinado. Exemplo: levar o lixo no lugar adequado, passando pelos caminhos secretos de um shopping center, entre outros causos. É exatamente assim que alguns estabelecimentos tratam os funcionários na Irlanda: esperam que você saiba de tudo e faça no menor tempo possível, mas ninguém te ensina o que deve ser feito.

Pra sentir o nível de tratamento, os funcionários não deveriam abandonar a função nem para usar o banheiro, isso deveria ser feito antes de entrar, no intervalo ou na saída. Eu trabalhava o dia todo sem ao menos tomar água, só pra não precisar ir ao banheiro, mas teve um dia que eu não estava me aguentando e a gerente cronometrou o tempo que eu levei para descontar do meu intervalo (se eu não me engano, tinha dado 6 minutos).

Por esses motivos, acho que ninguém conseguia trabalhar lá por muito tempo. O Tiago, brasileiro, era kitchen porter (a pessoa que lava a louça) e arrumou outro emprego, para a minha felicidade. Digo isso porque certo dia fui me meter a lavar a louça e descobri que era milhões de vezes melhor do que ficar servindo os pedidos. Os pratos do almoço ferviam de tão quente, um dia eu quase queimei a mão e a Veema ainda brigou comigo (oi, querida???), eu devo ter perdido minhas digitais por lá kkkkk. A gerente também ficava de cara porque eu levava um prato de comida em uma mão e um pires com xícara na outra, enquanto ela levava TRÊS PIRES COM CAFÉ EM UMA ÚNICA MÃO. Sério, sabe aquelas africanas que levam milhões de coisas na cabeça? A Veema levava no braço, era surreal!!! Eu levava um negócinho e ainda ficava rezando pra não cair. E olha, vou contar que meu Anjo é muito bom, porque foi só por ele mesmo que eu nunca derrubei um café fervendo ou uma sopa em um cliente kkkk.

Sempre veja o lado bom das coisas

Os clientes eram ótimos! Os irlandeses são maravilhosos, muito simpáticos, e falam “thank you” na mesma proporção que dizem “sorry”, ou seja, o tempo todo. De vez em quando, eles puxavam um assunto e eu realmente queria ficar conversando, mas a Veema me chamava lá do balcão e eu precisava cortar o papo.  Tinha uma cliente que ia quase todos os dias e era impossível entender o que ela dizia, era muito velhinha, coitada, eu tinha que chamar a gerente pra falar com ela kkkkk.

A cada 4 horas de trabalho, tínhamos um intervalo de 30 minutos com direito a um sanduíche e a uma bebida quente de nossa escolha. Eu amava o cappuccino e o latte, melhores do mundo ❤ Isso é bacana porque nem todos os lugares dão lanchinho de graça, o menino que trabalhava no Subway lá do shopping, por exemplo, me contou que nem sanduíche eles ganhavam, se quisessem, deveriam pagar. Quando eu fechava o café, também podia pegar scones, se sobrassem.

Essa experiência me fez amadurecer muito, me fez valorizar mais as pessoas que trabalham com subemprego e me fez entender ainda melhor como um funcionário deve ser tratado. Além de tudo, aprendi várias palavras enquanto estava no café, deixando meu vocabulário de inglês mais rico.

Apesar das pessoas não tão-agradáveis, também conheci gente muito legal e que vai sempre ter um cantinho no meu coração. Lembra da Paulina que vivia chorando? Ela finalmente ouviu meus conselhos e arrumou outro emprego, nós saímos do café no mesmo dia. A Yeni me ajudou bastante e a gente sempre voltava pra casa conversando no ônibus, compartilhando nossas histórias. Um tempo depois que entrei, eles contrataram a Caroline (pronuncia-se “Carolina”, também da Polônia). Temos em comum o dia 17, ela de setembro e eu de janeiro, mas chegamos ao acordo de que as pessoas que nascem nessa data são as melhores! haha

Um pouco antes de eu sair, mais uma polonesa começou a trabalhar no café. Ela devia ter em torno de uns 40 anos, não me recordo seu nome, mas era uma pessoa muito querida e engraçada. Os dois últimos meninos que entraram foram o Gerardo, um mexicano simpático, e o Filipe Bonetti, que é de Curitiba (mesmo trabalhando juntos por um mês, só descobrimos essa informação no meu último dia). Como Curitibano é tudo gente boa, ainda nos encontramos em Barcelona e o Filipe trouxe para o Brasil algumas coisas que eu havia esquecido.

Quanto à Veema, o Marty e o Jessen (o chef), eu aprendi a conviver com eles e até a gostar um pouquinho, bem lá no fundo. Inclusive, a gente foi uma vez pra night together!!! O Marty não estava presente, mas pagou a conta: todo mundo bebeu de graça (ele não divide a gorjeta, mas paga as bebidas do happy hour). A única foto que eu tenho com o povo do restaurante é essa aqui embaixo, tirada na noite que contei.

17 Julho (13)

Gerardo, Caroline, Jessen, me and Yeni.

Além do pessoal do café, também tive a oportunidade de conhecer o Felipe Paranhos, que trabalhava em um quiosque de sucos, e o Kaique Sérgio, que era atendente no Subway. Sempre que podia, o Felipe dava um suco natural pra mim e pras meninas, eu até tentei juntar ele com uma das polonesas, mas não deu certo haha. Eu conheci o Kaique no shopping e, por uma incrível coincidência, acabei fazendo couchsurfing por uma noite na casa dele e dos flatmates, sendo muito bem recebida.

  • Se você chegou até aqui, por favor, comenta pra eu saber hahaha. Confesso que este post está há semanas na pasta “rascunhos”, porque ele ficou tão longo que eu não sabia se postava ou não, ou então se gravava um vídeo sobre o assunto (mas e o medo de ficar 1h falando, já que eu quase nem falo, né???).

Dicas para quem pensa em ir para Dublin

  1. Se você está com medo de ir e não conseguir emprego, SÓ VAI! Não deixe o medo te segurar, o que tiver que ser será! É clichê, mas carrego esse lema na minha vida. De verdade, se você tiver foco e for persistente, uma hora vai encontrar uma oportunidade (só não te garanto se vai ser boa ou ruim).
  2. Passe longe do Red Cherry Cafe, que fica no Omni Shopping Centre. Sério.
  3. Não crie expectativas sobre conseguir um bom emprego. Vá preparado para lidar com gerentes arrogantes, do contrário, surpreenda-se com gente legal =)
  4. Se algum bar, café ou restaurante te chamar para uma entrevista, pode ir de roupa preta e calçado confortável, pois você vai ter que trabalhar! Eles chamam esse dia de “trial”, você trabalha de graça (na maioria das vezes) e eles julgam se vão te contratar ou não.
  5. Quem gosta de música Pop e HipHop precisa ir no THE BUSKERS, o pub que conheci quando saí com o pessoal do trabalho. Ele fica na região do Temple Bar, bem perto do Hard Rock Cafe, e eu amei o lugar porque foge do padrão rock/indie de todos os outros pubs da área!!!!

Pronto, agora os dedinhos já estão doendo de tanto digitar! Finalizando, eu trabalhei no café por longos 3 meses e nos próximos posts vou contar como foi minha trajetória depois desse período. Eu não passaria por toda essa experiência novamente, mas não me arrependo de nada. Seja bom ou ruim, o importante é sempre tirar um aprendizado das coisas que acontecem com você. =)

ADENDO: lembrei de uma “entrevista” que fiz durante um dia de folga lá do café, era um trial em um restaurante asiático, que também fica no complexo do Omni Shopping. Fiquei lá por algumas horas, até perguntar o salário: por € 6,00 a hora eu peguei o ônibus e voltei pra casa, era melhor ser escravizada e ganhar um pouquinho a mais no Red Cherry Cafe kkkkk.